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Quem era Daiane Alves Souza, que estava desaparecida e foi encontrada morta em Caldas Novas

O corpo de Daiane Alves Souza foi encontrado nesta quarta-feira, 28, em uma área de mata de Caldas Novas (GO). Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro, quando foi ao subsolo do prédio onde morava para ver se havia algo de errado com o fornecimento de energia para o apartamento onde morava.
O síndico do prédio onde Daiane morava, Cléber Rosa de Oliveira, foi preso, suspeito de envolvimento na morte, junto com o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, acusado de obstrução de justiça. Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Pereira, da Delegacia Regional de Caldas Novas, Cléber confessou ter cometido o crime em depoimento. A prisão dos dois é temporária, com validade de 30 dias.
O advogado dos suspeitos, Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, afirmou que tomou conhecimento da prisão e da suposta confissão pelas redes sociais e pela mídia. Segundo ele, a defesa ainda não sabe em que circunstâncias essa confissão teria ocorrido, nem se foram respeitados o direito ao silêncio e o direito à não autoincriminação.
Daiane, de 43 anos, tinha uma filha de 17 anos. Conforme Nilse Alves, mãe de Daiane, ela era uma mulher muito “guerreira” e bastante dedicada à família. “Ela é uma pessoa muito decidida, com muita coragem. Ela nunca aceitou injustiça e ela se sentia muito injustiçada por tudo que a gente viveu aqui (no prédio)”, contou a mãe.
Segundo uma amiga, Daiane era uma pessoa que sempre somava nos lugares onde chegava e que estava sempre disposta a acolher quem precisava de ajuda nos momentos de dificuldade.


Conflito
Segundo familiares de Daiane, ela mantinha um histórico de conflitos com o síndico do condomínio onde morava. A família possui seis apartamentos no condomínio: dois deles eram usados pela própria Daiane e pela mãe, enquanto os outros quatro eram disponibilizados para locação.
“O síndico cuidava de vários apartamentos e a Daiane só tinha quatro para locar”, contou a mãe de Daiane. “Mas ela tinha muita facilidade em conseguir hóspedes e, como o síndico tinha vários (apartamentos), virou uma parceria. Só que houve um desentendimento entre eles”, disse.
Desde o ano passado, Daiane movia uma ação judicial contra o condomínio. Ela e o síndico participaram de uma audiência de conciliação virtual em outubro, mas não houve acordo.
No início de 2025, o síndico teria entrado em contato com Nilse, mãe de Daiane, pedindo para ela expulsasse sua filha do prédio. Nilse então deu uma procuração para que a filha pudesse administrar locações. “E aí, começou muita, muita perseguição (. .) virou uma guerra, só que ele tem a caneta na mão. Então foi uma briga desigual”, conta.
Os familiares de Daiane alegam que a energia já havia sido interrompida no dia anterior ao desaparecimento da corretora, no apartamento dela e também no de uma hóspede cuja locação era administrada por Daiane. A hóspede teria avisado sobre a falta de luz, e, ao verificar o problema, Daiane constatou que o padrão havia sido desligado.
A situação levantou a suspeita da família de que a energia poderia ter sido desligada propositalmente no dia do desaparecimento de Daiane. Testes feitos posteriormente indicaram que a rede elétrica funcionava normalmente, sem indícios de sobrecarga ou falha técnica. “A polícia esteve aqui no meu apartamento”, contou Nilse Alves. “Eles fizeram um teste pra ver se a energia elétrica poderia ter caído por algum outro problema, mas nada foi identificado”.


Desaparecimento
Por volta das 19h do dia 17 de dezembro, Daiane entrou no elevador do edifício e foi até a recepção do prédio. A corretora filmou todo o percurso e enviou as imagens para uma amiga.
“Vou na recepção perguntar se a Equatorial (concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás) veio aqui porque todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo para a minha energia ter sido interrompida”, diz a corretora no vídeo. Daiane deixou a porta do apartamento aberta e desceu até a recepção, mas não encontrou ninguém. O vídeo então é encerrado.
Imagens da câmera de segurança mostram Daiane retornando para o elevador e descendo até o subsolo. Ela continuou gravando todo o trajeto, mas o vídeo não chegou a ser enviado para a amiga. Depois disso, ela nunca mais foi vista com vida.
Para o delegado Pedromar de Souza, do Grupo de Investigação de Desaparecidos, a ida de Daiane ao subsolo está associada a um corte de energia elétrica, prática que, conforme a investigação, já havia sido adotada pelo síndico em outros conflitos.
Testemunhas relataram que, em situações anteriores de atrito, o síndico desligava o disjuntor do prédio ou o padrão de energia de apartamentos. A polícia afirma ter comprovado que esse modus operandi era recorrente.
Uma testemunha relatou ainda que, na véspera do desaparecimento, Daiane demonstrava apreensão após um hóspede informar que o padrão de energia do apartamento locado havia sido desligado.
Câmeras também registraram o deslocamento do síndico com o próprio carro para uma área de mata. Ele saiu com a capota fechada e retornou cerca de 40 minutos depois com a capota aberta. Em depoimento, no entanto, afirmou ter ido para outra região da cidade, o que, segundo a polícia, configura contradições relevantes. Imagens de câmeras de segurança registraram, às 19h36, Cléber dirigindo o próprio carro por uma rota divergente daquela que havia mencionado à polícia.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, Cléber foi preso por homicídio e ocultação de cadáver, enquanto o filho acabou sendo detido por tentar atrapalhar as investigações. “O filho dele comprou um telefone novo no mesmo dia 17, possivelmente para entregar ao pai”, disse o delegado Rodrigo Pereira.
O inquérito sobre o assassinato de Daiane Alves de Souza deve ser concluído em até 30 dias. A causa da morte da corretora de imóveis será apontada por meio de exames periciais.


Defesa
Em entrevista ao Estadão, o advogado dos suspeitos, Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, afirmou que tomou conhecimento da prisão e da suposta confissão pelas redes sociais e pela mídia. “Nós não sabemos se essa confissão se deu de forma livre e espontânea e sem qualquer tipo de intimidação”, disse.
O advogado informou que teve contato rápido com os dois suspeitos após a prisão, mas evitou entrar no mérito sobre autoria ou participação no crime. De acordo com ele, a defesa aguarda acesso integral ao inquérito policial, à representação da autoridade policial e à decisão judicial que decretou as prisões temporárias para avaliar as próximas medidas. “Somente posteriormente a isso nós vamos conseguir saber exatamente como se deu essa prisão”, acrescentou.
Sobre a prisão de Maykon, apontada pela Polícia Civil como relacionada à obstrução da investigação, o advogado reforçou que ainda não teve acesso à decisão judicial e, por isso, não comenta o fundamento da medida. Ele destacou que a defesa vai avaliar a possibilidade de pedir a revogação da prisão deles.
Por fim, o advogado disse que a atuação da defesa busca colaborar com a Justiça e garantir os direitos constitucionais dos clientes. “Ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória”, afirmou.

(FONTE: ODIA.COM.BR / 29-01-2026)




29/01/2026 – Sucesso FM

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