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Crea-RJ recebeu denúncias de obras no Shopping Tijuca antes do incêndio no subsolo

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) recebeu quatro denúncias relacionadas a obras de ampliação realizadas no interior do Shopping Tijuca, na Zona Norte, além de um comunicado sobre um princípio de incêndio. Este último episódio aconteceu em dezembro de 2024, poucos dias antes do incêndio no subsolo do centro comercial que deixou dois funcionários mortos.
Conforme apurado pela reportagem, no caso do princípio de incêndio do ano passado, o ofício enviado pelo Crea-RJ à administração do shopping não foi plenamente atendido. A administração enviou apenas a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), mas não encaminhou a relação completa das empresas e profissionais prestadores de serviço, como solicitado.

Entre janeiro e dezembro de 2024, o Crea-RJ realizou nove ações de fiscalização no Shopping Tijuca, sem nenhum registro de auto de infração. Em entrevista ao DIA, o presidente do Crea-RJ, engenheiro Miguel Fernández, afirmou que o Shopping Tijuca passou por diversas intervenções recentes, o que torna essencial aguardar a perícia para determinar a causa do incêndio antes de apontar responsabilidades.
“É preciso entender a causa real do incêndio antes de relacionar o episódio a qualquer uma dessas obras. Pode ter sido uma falha de engenharia ou um problema de equipamento. Só após a perícia poderemos fazer uma análise final. O que posso afirmar é que as últimas obras foram conduzidas por empresas habilitadas. Fizemos contato com elas e estamos monitorando”, explicou.

Fernández destacou ainda a preocupação crescente do Crea-RJ com incêndios associados a falhas em sistemas elétricos antigos e sem manutenção adequada, cenário comum em dias de calor intenso, quando o uso de ar-condicionado dispara. “Isso tem sido recorrente. A sobrecarga em instalações precárias no verão é um risco real”, afirmou.

Diante desse panorama, o Crea-RJ está elaborando uma minuta de projeto de lei que será encaminhada ao deputado estadual e engenheiro Luiz Paulo Corrêa da Rocha. A proposta prevê a criação de um programa de inspeção periódica obrigatória das instalações elétricas em edificações.
“Hoje não existe lei que obrigue essa inspeção, e isso é muito perigoso. Bairros como Copacabana e Tijuca têm estruturas antigas. Não podemos afirmar que essa foi a causa do incêndio no Shopping Tijuca, mas a frequência desses acidentes mostra a urgência do tema. Não é um caso isolado”, disse.

O Crea-RJ também abriu uma apuração sobre os protocolos de combate a incêndio e evacuação adotados pelo shopping. “Agora precisamos avaliar toda a edificação e reexaminar os procedimentos de emergência. Houve uma falha, porque tivemos duas mortes. Brigadistas e equipe de segurança deveriam ser os mais preparados”, afirmou Fernández.

O incêndio no Shopping Tijuca é investigado pela 19ª DP (Tijuca). Na terça-feira (6), agentes da Polícia Civil realizaram uma nova perícia no local, mas o forte calor no subsolo, onde o fogo começou, dificultou o trabalho, impedindo avanços na análise. Quatro dias após o incêndio, a temperatura segue extremamente elevada.

O subsolo permanece totalmente interditado por falta de segurança. No térreo, 17 lojas da lateral esquerda, entre a entrada principal e a Tok&Stok, continuam fechadas porque o calor extremo chegou a deformar o piso.

Quem eram as vítimas
As vítimas são o supervisor de brigada Anderson Aguiar do Prado e brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes. Ambos foram enterrados na tarde de domingo (4).
Henrique Araújo, amigo do bombeiro civil, contou que Anderson morreu devido à inalação de fumaça do fogo que tomou conta de uma loja, no subsolo do shopping, na última sexta-feira (2). De acordo com Henrique, a vítima era uma pessoa que sempre procurava ajudar os outros. E isso aconteceu até o final da sua vida.

O que diz o Shopping Tijuca
Em relação às denúncias recebidas pelo Crea-RJ, o Shopping Tijuca alegou que as solicitações do órgão foram atendidas. Já sobre o incêndio recente, o centro comercial informou que recebeu os laudos da Defesa Civil que indicam a reabertura parcial e que aguarda a avaliação final do Corpo de Bombeiros. Reforçou, ainda, que concentrará seus esforços para realizar todas as manutenções necessárias e só voltará a funcionar garantindo a segurança e bem estar de clientes, lojistas e colaboradores.
Sobre a evacuação, o shopping disse que tem Certificado de Aprovação (CA) válido e emitido pelos bombeiros, o que inclui a aprovação das instalações dos sistemas de emergência e sinalização, conhecimento da planta do empreendimento.
“O plano de evacuação também foi aprovado pelos bombeiros, o que garantiu a saída segura de 7 mil pessoas que estavam no shopping com segurança. Como praxe na nossa indústria, os planos de fuga são desenvolvidos por empresas credenciadas junto o Corpo de Bombeiros, considerando a norma internacional NFPA e a nacional NBR, além de Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro, e a infraestrutura específica de cada empreendimento. Posteriormente, esse plano é verificado e testado, para a aprovação e concessão do CA. Cabe ressaltar que todos os simulados de abandono feitos pelo shopping contam com participação da corporação”, diz um trecho da nota.

Leia o comunicado na íntegra:
“O Shopping confirma o recebimento dos laudos da Defesa Civil que indicam a reabertura parcial e que aguarda a avaliação final do Corpo de Bombeiros. Além disso, reforça que focará seus esforços para realizar todas as manutenções necessárias e só voltará a funcionar garantindo a segurança e bem estar de clientes, lojistas e colaboradores.

Isso inclui reinstalar equipamentos de incêndio, sinalizações de emergência, além da verificação se estão já em plenas condições de uso, bem como reparos necessários em áreas atingidas.

Shopping esclarece evacuação
O shopping tem Certificado de Aprovação (CA) válido e emitido pelos bombeiros, o que inclui a aprovação das instalações dos sistemas de emergência e sinalização, conhecimento da planta do empreendimento. O plano de evacuação também foi aprovado pelos bombeiros, o que garantiu a saída segura de 7 mil pessoas que estavam no shopping com segurança.

Como praxe na nossa indústria, os planos de fuga são desenvolvidos por empresas credenciadas junto o Corpo de Bombeiros, considerando a norma internacional NFPA e a nacional NBR, além de Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro, e a infraestrutura específica de cada empreendimento. Posteriormente, esse plano é verificado e testado, para a aprovação e concessão do CA. Cabe ressaltar que todos os simulados de abandono feitos pelo shopping contam com participação da corporação.

Na última sexta-feira, durante o incêndio na loja Bell’Art, todos os protocolos de emergência foram cumpridos.

Sobre o acionamento do Corpo de Bombeiros, o shopping informa que fez três ligações, a primeira delas foi às 18h12 e a última, às 18h22, conforme os registros do sistema de comunicação.

A loja Bell’Art, local do incêndio, foi evacuada em cinco minutos, já com os primeiros combates em andamento pela brigada. O subsolo (área crítica naquele momento, onde se encontrava a referida loja), foi evacuado em doze minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros.

A partir disso, os seis pisos superiores começaram a ser evacuados de forma gradual, evitando acidentes que poderiam ser eventualmente causados pelo pânico de uma correria. Importante ressaltar que as duas únicas vítimas foram nossos funcionários heróis, que permaneceram atuando no primeiro combate.

Reforçamos que 7 mil clientes, colaboradores e lojistas foram evacuados em segurança, seguindo as orientações das equipes de segurança, brigadistas, funcionários e bombeiros. Importante ressaltar que não houve tumulto, pisoteamento, empurra-empurra e demais riscos como uma situação tão crítica como essa poderia trazer.”

 

(FONTE: ODIA.COM.BR / 08-01-2026)




08/01/2026 – Sucesso FM

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